Porque é que os gatos têm medo da água: evolução, pelo e perda de controlo

Já alguma vez tentaste dar banho a um gato?

É um espetáculo digno de um filme de terror: gritos de cortar a respiração, garras soltas, tentativas de trepar uma parede vertical, relata um correspondente do .

Parece que a água para um gato é a pior coisa que pode acontecer na vida. Mas por que é que estas graciosas criaturas, muitas das quais são excelentes nadadoras na natureza, ficam tão assustadas com um banho de rotina?

É tudo uma questão de história evolutiva. Os gatos domésticos descendem dos gatos selvagens das estepes que viviam nas regiões áridas do Médio Oriente e do Norte de África.

Os seus antepassados tiveram pouco ou nenhum contacto com grandes massas de água, e não desenvolveram nem o hábito nem a necessidade fisiológica de contacto com a água. Um pelo molhado é uma anomalia para eles, não a norma.

A segunda razão é a termorregulação. O pelo do gato, ao contrário do pelo do cão, não tem subpêlo, que cria uma camada de ar e protege do frio. Um gato molhado perde calor muitas vezes mais depressa e pode congelar facilmente, mesmo numa sala quente.

O instinto de auto-preservação grita: “Água = frio = morte, corra!” A terceira razão é o cheiro.

Os gatos são mestres da camuflagem e da caça. O seu odor natural deve ser mínimo para não afugentar as presas nem atrair os predadores.

A água lava o seu odor pessoal e mistura-o com o cheiro do champô, da lixívia ou simplesmente da água da torneira. Para o gato, isto é uma perda de identidade, já não cheira a si próprio.

A quarta razão é a perda de controlo. Os gatos são criaturas que valorizam o chão sólido debaixo das patas e a capacidade de controlar todos os movimentos.

Na água, eles perdem o pé, escorregam, não conseguem agarrar-se. Isso causa pânico, como se uma pessoa caísse de repente no gelo.

O instinto diz-lhes para irem imediatamente para terra a todo o custo. A quinta causa é a sobrecarga sensorial.

O som da água a cair, o cheiro da água (especialmente o odor químico da água da torneira), a sensação do pelo molhado colado ao corpo – todas estas coisas estão simultaneamente a sobrecarregar o sistema nervoso sensível do gato. É como estar numa sala com música ensurdecedora, luzes intermitentes e fumo acre, tudo ao mesmo tempo.

Curiosamente, algumas raças de gatos, como o Turkish Van ou o Maine Coon, são muito mais relaxadas em relação à água e até gostam de chapinhar. Têm uma estrutura de pelo diferente que repele melhor a água e, historicamente, viveram em regiões onde a água fazia parte da paisagem. Mas mesmo eles raramente gostam de tomar banho com champô.

Se o banho for inevitável (por exemplo, se o gato estiver muito sujo), esteja preparado: coloque uma toalha no fundo da banheira para que o gato tenha algo a que se agarrar, use o mínimo de água e um duche morno, fale com o gato com uma voz calma e aja rapidamente. E lembre-se: a maioria dos gatos não precisa de água, eles lambem-se muito bem.

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