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Se a situação estiver fora de controlo e os seus próprios esforços não forem suficientes – consultar um psicólogo infantil ajudá-lo-á a encontrar uma abordagem individual
Ser pai ou mãe é a arte de equilibrar o amor e os limites. O excesso de delicadeza sem consequências ensina gradualmente à criança: se se esforçar o suficiente, pode conseguir tudo. Os psicólogos infantis alertam para o facto de certos comportamentos serem sinais claros de que a criança está a começar a manipular os adultos. Quanto mais cedo os pais se aperceberem deles, mais fácil será corrigir a situação. A RBC-Ucrânia diz-nos como é que os pais podem perceber que a criança já “subiu à cabeça” e aprendeu a manipular. E também – como podem lidar com isso.
Ignora os pedidos – e espera que desista
A criança ouve-o da primeira vez – mas não responde. Fica à espera do segundo, terceiro, quinto pedido. E, por vezes, não o fazem de todo – até que os pais o façam eles próprios.
Isto não é distração ou esquecimento. Os psicólogos chamam-lhe “teste de limites” – a criança está a testar a seriedade das suas palavras. Se ao fim de cinco “por favor” não acontecer nada, a criança aprende que não faz mal não reagir.
O que fazer: dizer uma vez – e manter as consequências. Se o pedido for ignorado – há uma resposta específica e intencional, não um sexto lembrete.
Faz birras na altura certa
As birras numa criança de dois anos são mais a norma. Uma criança de seis anos que faz uma birra sempre que algo está fora do normal é uma história diferente.
Os psicólogos distinguem dois tipos: a explosão emocional (a criança não consegue mesmo lidar com os sentimentos) e a birra instrumental (a criança sabe que funciona). O segundo tipo tem sempre um objetivo claro – conseguir o que se quer ou evitar o que não se quer. E se, pelo menos uma vez, resultar – o método está consolidado.
O que fazer: Não ceder durante uma birra – mesmo que seja difícil. Reagir depois de a criança se ter acalmado, não durante o pico da emoção.
Procurar sempre uma forma de contornar as regras
Existem regras na família – mas a criança encontra sempre uma “escapatória”. Não se pode jogar ao telemóvel depois das nove horas? Passa para um tablet. Não pode comer doces antes do almoço? Come-o no quarto.
Isto não é ingenuidade infantil – é uma tentativa sistemática de controlar a situação. A criança não está a violar a regra de imediato – está a procurar uma forma de o fazer à sua maneira sem ser castigada.
O que fazer: Colmatar as “lacunas” com pormenores específicos. Não “nada de telemóveis depois das nove horas”, mas “depois das nove horas, todos os ecrãs estão carregados no corredor”.
A culpa nunca é sua – é de todos os outros
“Não fui eu”, “foi ele que começou”, “foste tu que me levaste a isso” – se estas frases forem ouvidas sempre após um conflito, é um sinal de alerta.
A incapacidade de assumir a responsabilidade pelos seus actos é um dos principais sinais de comportamento manipulador. A criança aprendeu que, se transferir a culpa para outra pessoa, pode evitar o castigo. E esta estratégia é reforçada cada vez que os pais a adoptam.
O que fazer:Não entrar numa discussão sobre “quem é o culpado”. Em vez disso, concentrar-se no ato específico e nas suas consequências, independentemente de “quem o começou”.
Manipular os seus sentimentos
As lágrimas aparecem precisamente quando é preciso evitar o castigo. Ressentimento – quando não se consegue o que se quer. Promessas de “nunca mais” – quando a situação se tornou crítica.
Uma criança aprende rapidamente a ler as emoções dos pais e a utilizá-las. Se a mãe cede por causa das lágrimas – as lágrimas tornam-se uma ferramenta. Se o pai recua por causa do ressentimento – o ressentimento torna-se uma arma.
Importante: Distinguir a emoção real da emoção instrumental é difícil – mas possível. A frustração real é caótica e nem sempre oportuna. Manipuladora – aparece exatamente no momento certo e desaparece imediatamente depois de se conseguir o que se quer.
O que fazer: Responda à emoção com carinho, mas não mude de ideias por causa dela. “Estou a ver que está triste. E a resposta continua a ser não.
Precisa de atenção – sempre e imediatamente
Uma criança surge precisamente quando estamos numa reunião, a cozinhar ou ao telefone. E não se aproxima apenas, mas exige uma resposta imediata.
O desejo de atenção é natural e saudável. Mas a incapacidade de esperar nem que sejam cinco minutos e a interrupção sistemática dos adultos é uma tentativa de subjugar o seu tempo e os seus recursos. A criança aprendeu: se for suficientemente persistente, ser-lhe-á dada atenção.
O que fazer: introduzir o conceito de “espera”. E cumpra-o – se prometeu vir dentro de cinco minutos, venha exatamente dentro de cinco minutos. Isto ensina à criança que vale a pena esperar porque a palavra é cumprida.
Evita todas as responsabilidades
Os trabalhos de casa “não se fazem sozinhos” – mas a criança tem a certeza que se fazem. Porque a mãe vai fazê-los. Ou o pai vai lembrá-la vinte vezes e acabar por ajudar.
A fuga à responsabilidade é o último e mais perigoso sinal. A criança aprendeu que, se esperar o tempo suficiente ou se fingir que não sabe como fazer, os adultos fá-lo-ão eles próprios. Este padrão, se não for travado, progride para a adolescência e mesmo para a idade adulta.
O que fazer: Permitir que o seu filho enfrente as consequências. Não fez os trabalhos de casa – recebeu uma repreensão do professor. Isso é desagradável, mas é uma lição que não pode ser substituída por qualquer explicação.
O que conta não é o rótulo, é a compreensão
Nenhum destes sinais significa que tem uma criança “má” ou “manipuladora”. Significa que a criança encontrou um padrão que funciona – e continua a usá-lo.
Os psicólogos lembram-nos que as crianças não manipulam por maldade. Elas simplesmente fazem o que dá resultado. A tarefa dos pais é mudar o resultado. Depois, o comportamento alterar-se-á.
Se a situação estiver fora de controlo e os seus próprios esforços não forem suficientes, consultar um psicólogo infantil pode ajudá-lo a encontrar uma abordagem individual.
