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Crise da meia-idade nas mulheres: como reconhecer e apoiar-se
Aos 40 anos, muitas mulheres encontram-se num estado estranho: têm uma família, a sua carreira está estabelecida, a sua vida quotidiana está bem afinada, mas existe um vazio interior. No entanto, há a sensação de que algo está a correr mal. A reflexão constante sobre o significado das suas próprias acções e a inquietante questão de saber se este é o limite de todas as realizações tornam-se suas companheiras diárias. É importante perceber que este estado não é um capricho aleatório ou um sinal de uma perturbação depressiva. Trata-se de manifestações clássicas da crise da meia-idade, que na vida de uma mulher tem uma especificidade única e traços caraterísticos.
O que acontece em tempos de crise
Antes de chegar aos quarenta anos, a maior parte das tarefas fundamentais já foram cumpridas ou estão em vias de o ser. O percurso profissional está definido, a questão da habitação está resolvida e a situação da paternidade já se tornou clara – os filhos já cresceram ou tornou-se óbvio que não haverá nenhum. O caminho profissional está definido, a questão da habitação está resolvida e a situação da paternidade já se tornou clara – os filhos ou já cresceram ou tornou-se óbvio que não haverá nenhum. Nesta altura, coloca-se uma questão premente sobre outros pontos de referência.
Pela primeira vez, somos confrontados com uma noção muito real, e não teórica, de limitações de tempo. Apercebemo-nos de que a maior parte do caminho já foi percorrido e que muito do que foi adiado “para mais tarde” pode nunca se tornar realidade.
Este é um período de dura justaposição entre as ilusões da juventude e as realizações efectivas. Se aos vinte anos o futuro parecia um campo ilimitado de possibilidades, aos quarenta vemos resultados concretos, muitas vezes bastante diferentes dos planos brilhantes que fizemos na nossa juventude
O famoso psicólogo Erik Erikson interpretou este período da vida como um confronto entre a capacidade de criar e transmitir experiências à geração seguinte e um sentimento deprimente de estagnação, quando tudo à nossa volta parece não ter sentido.
Porque é que a crise da meia-idade está a chegar
Base fisiológica da mudança: a influência das hormonas
Principalmente devido à influência das hormonas. A turbulência interior da mulher durante este período é muitas vezes agravada pela perimenopausa, a fase especial que precede a menopausa. Não se trata apenas do desaparecimento da função reprodutora, mas de uma verdadeira tempestade biológica associada a uma reestruturação global de todo o organismo.
O estrogénio desempenha aqui um papel especial. Esta hormona interage diretamente com a serotonina e a dopamina, substâncias que nos proporcionam sensações de alegria, de paz e de motivação. Quando os níveis de estrogénio começam a flutuar ou a diminuir, isso desencadeia inevitavelmente ataques de ansiedade, aumento da irritabilidade e profundo sofrimento emocional.
A situação complica-se com as transformações físicas visíveis. O corpo começa a comportar-se de forma diferente – o metabolismo abranda, facilitando o aumento de peso, e surgem as primeiras rugas no rosto. Para as mulheres que vivem numa sociedade que cultua a eterna juventude, estas mudanças tornam-se um sério desafio psicológico.
Além disso, o desequilíbrio hormonal é frequentemente a causa das insónias. A falta constante de um descanso de qualidade só vem alimentar a situação, tornando as mulheres ainda mais vulneráveis a estados depressivos e aumentando o sentimento de ansiedade geral.
Principais factores que provocam um estado de crise
- As mudanças na vida de uma mulher tornam-se muitas vezes um gatilho para uma reavaliação de valores. Existem várias circunstâncias clássicas que obrigam a um novo olhar sobre o próprio destino:
- Transformação do papel materno. Quando os filhos se tornam independentes e deixam a casa dos pais, as mulheres cuja vida esteve inteiramente centrada na parentalidade sentem um doloroso vazio interior. Por outro lado, para as que não têm filhos, esta idade traz a constatação final de que a possibilidade de reprodução está quase esgotada.
- A estagnação profissional. A carreira profissional chega muitas vezes a um ponto em que o seu desenvolvimento é impossível ou deixa de ser agradável. A sensação de “teto de vidro” leva-nos a questionar se valeu a pena gastar tanto esforço no emprego atual.
- Crise de relacionamento. Após décadas de vida em comum, o ardor da paixão é muitas vezes substituído por uma rotina e um hábito. Para as mulheres solteiras, este período pode ser acompanhado pelo receio de que já não seja possível encontrar um ente querido no futuro.
- Mudança de gerações. O envelhecimento ou a perda dos pais torna-se uma recordação dolorosa da fluidez do tempo. É o momento em que uma mulher se apercebe subitamente de que pertence agora à geração mais velha e que a sua própria velhice inevitável está à sua frente.
- A vulnerabilidade física. Os primeiros sinais de uma doença crónica ou de um declínio geral da resistência do corpo fazem-nos sentir as limitações dos recursos corporais. O corpo, que antes não necessitava de atenção especial, começa a exigir cuidados e a recordar os limites físicos reais.
Como se manifesta uma crise de meia-idade
O período de crise é geralmente acompanhado por estados emocionais específicos que são difíceis de ignorar.
A mulher é cada vez mais visitada por pensamentos sobre a adequação do seu modo de vida. Surgem dúvidas sobre a correção de decisões anteriores e a dolorosa questão de saber se ela realizou realmente os seus verdadeiros desejos e não as expectativas de outrem.
Surge um desejo compulsivo de deixar tudo no passado, mudar de residência ou de profissão e começar a vida de novo. Estes sonhos de uma realidade diferente podem tornar-se muito pormenorizados e frequentes.
Existe um sentimento agudo de inveja em relação à geração mais jovem. Não é causado pela sua aparência, mas pela disponibilidade de tempo e pela possibilidade de cometer erros ou mudar radicalmente o seu caminho.
As pessoas mais próximas começam a provocar uma irritação desmotivada. Parece que um homem ou um parceiro se tornou completamente alheio e insensível, os filhos mostram ingratidão e os deveres profissionais tornam-se um fardo pesado.
A nostalgia dos velhos tempos torna-se um pano de fundo constante. Os anos passados parecem muito mais vivos, cheios de energia e de conteúdo genuíno, quando comparados com a vulgaridade cinzenta do presente.
Como ultrapassar uma crise de meia-idade
Para ultrapassar este período difícil com dignidade, é importante mudar a forma como encara as suas próprias experiências:
O primeiro passo para a recuperação é admitir honestamente: “Estou em crise”. Não há vergonha nisso, pois é uma fase natural do desenvolvimento vivida por muitas mulheres em todo o mundo.
Evite destruir tudo no auge da emoção. Medidas como a libertação súbita ou a rutura de um casamento podem ser justificadas, mas só depois de se ter acalmado e ponderado tudo. Dê a si próprio a pausa de que necessita.
Em vez de mudar qualquer coisa imediatamente, tente compreender as causas subjacentes do desconforto. O que está exatamente a causar a dor? O que é que lhe falta para ser feliz? Mantenha um diário de observação ou discuta estas questões com um conselheiro.
Em vez de uma revolução maciça, escolha o caminho da evolução gradual. Experimente uma nova aderência, visite um local atípico ou faça um pequeno curso de formação. Isto permitir-lhe-á testar a nova realidade sem correr riscos desnecessários.
A sua saúde mental está intimamente ligada à sua saúde corporal. Certifique-se de que faz análises às suas hormonas, estabelece uma rotina de descanso e pratica uma atividade moderada. Um corpo saudável ajudará a sua psique a lidar com a carga.
A socialização com outras mulheres com mais de quarenta anos pode ser um verdadeiro salva-vidas. Perceber que não está sozinha com os seus problemas e partilhar as suas experiências é muito estimulante.
Quando procurar ajuda
Os especialistas devem ser consultados quando os esforços autónomos se tornarem insuficientes.
- Se sente uma profunda apatia, perdeu o interesse por qualquer atividade e a vida parece completamente desprovida de sentido.
- Quando existe uma vontade irresistível de tomar uma decisão impulsiva que pode destruir a sua estabilidade financeira ou a sua vida pessoal.
- Quando a ansiedade e a incerteza se tornam companheiras constantes que não podem ser negociadas.
Nestes casos, o trabalho com um psicólogo pode ajudar a estruturar o caos mental e a encontrar uma nova direção na vida. Em caso de manifestações clínicas de depressão ou de perturbações de ansiedade graves, é conveniente recorrer ao aconselhamento psiquiátrico.
