Como os gatos vêem o invisível: o mistério dos seus superpoderes e da luz ultravioleta

Já alguma vez reparou que o seu gato pára de repente e fica a olhar para um canto vazio de uma sala onde não parece haver absolutamente nada de interessante?

Muitos donos têm tendência a considerar isso como misticismo ou uma ligação com o outro mundo, mas os oftalmologistas britânicos da Universidade de Liverpool encontraram uma explicação muito mais prosaica e surpreendente, relata o correspondente do .

Os olhos dos gatos estão organizados de uma forma fundamentalmente diferente da nossa e são capazes de percecionar radiações ultravioletas que permanecem invisíveis ao olho humano. Para um gato, o que pensamos ser um espaço vazio pode estar salpicado de vestígios de urina de roedores, que brilham intensamente à luz ultravioleta, ou de reflexos de pólen de plantas.

Acontece que os nossos animais de estimação vivem num mundo muito mais brilhante e detalhado do que o nosso, cheio de marcas e sinais ocultos. O mito generalizado de que os gatos vêem o mundo a preto e branco foi há muito desmentido pela ciência: eles distinguem os espectros azul e verde, embora o vermelho se misture com o fundo cinzento.

E a famosa visão felina no escuro é proporcionada por uma camada especial por detrás da retina, o tapetum, que actua como um espelho, reflectindo a luz de volta para os fotorreceptores. É por isso que os olhos dos gatos brilham no escuro quando um feixe de lanterna os atinge e que conseguem ver com uma luz seis vezes mais fraca do que a necessária para os humanos.

Os cães, neste sentido, são ligeiramente inferiores aos gatos na acuidade da visão nocturna, mas o seu olfato é um verdadeiro supercomputador escondido no seu nariz húmido. Cientistas da Universidade de Barcelona descobriram que os cães são capazes de detetar odores em concentrações cem milhões de vezes inferiores às disponíveis para os humanos.

Os cães vêem o mundo através dos seus narizes tão vividamente como nós o vemos através dos nossos olhos: cada folha de erva num passeio conta-lhes uma história completa sobre quem passou por ali, o que comeram e qual o estado de espírito em que se encontravam. Um nariz molhado está molhado por uma razão – uma camada de muco ajuda-o a apanhar pequenas partículas de odor do ar.

Tanto os cães como os gatos têm um órgão único que os humanos não têm – o órgão vomeronasal, ou órgão de Jacobson, localizado no palato. Quando vemos um animal de estimação congelar com a boca aberta, como se estivesse a farejar o ar, ele está a utilizar este mesmo instrumento para analisar as feromonas.

Isto permite-lhes “ler” o estado emocional dos outros animais e até dos humanos a um nível químico, percebendo se estamos calmos ou assustados, zangados ou amigáveis. Eles vêem e sentem o mundo como uma única tela, onde os cheiros têm cor e o invisível para nós torna-se a principal fonte de informação.

Por isso, da próxima vez que o seu cão correr em círculos ou, de repente, ficar parado a farejar o vazio, saiba: ele está apenas a ler esse livro fascinante da realidade que, infelizmente, está para sempre fechado à nossa perceção.

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