Quando ouvimos pela primeira vez um conhecido agrónomo dizer que estava a deitar água quase a ferver nos canteiros de morangos, pensei que o homem tinha sobreaquecido ao sol e que era altura de chamar uma ambulância.
Mas, afinal, esta é uma forma antiga e absolutamente segura de combater o ácaro e o gorgulho do morangueiro, que acordam no início da primavera e destroem até metade da colheita, relata o correspondente da .
O tratamento é efectuado no momento em que a neve já derreteu, as folhas ainda não se desenvolveram e os morangos estão num estado de sono leve. A água é aquecida a 65-70 graus, vertida num regador com um atomizador fino e um movimento rápido derrama os arbustos a partir de cima, tentando penetrar até ao âmago.
As pragas que hibernam no solo e nos restos de folhas são instantaneamente mortas pelo choque térmico, enquanto as raízes da planta, protegidas pela terra, permanecem completamente seguras.
O efeito deste procedimento pode ser visto já no verão: as bagas amadurecem suavemente, sem formas feias e sem podridão, e os arbustos parecem mais saudáveis do que após qualquer tratamento químico.
A única condição é que a água seja vertida rapidamente e não se demore num só lugar, para não queimar os botões dormentes, e é melhor realizar o procedimento de manhã cedo, enquanto está frio.
Está provado ao longo dos anos: depois de um duche quente, os morangos acordam mais depressa e produzem algumas semanas mais cedo do que o habitual.
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