Nos primeiros tempos de uma relação, parece que quanto mais tempo passamos juntos, mais forte se torna a ligação, mas a vida muitas vezes vira essa lógica de pernas para o ar.
A necessidade de estar sozinho não é um juízo de valor sobre as relações, mas sim a sua condição natural, refere o .
Quando uma pessoa não tem oportunidade de estar sozinha com os seus pensamentos, começa a sufocar, mesmo que a pessoa mais amada esteja por perto. É como respirar o mesmo ar: parece que se partilham as coisas mais importantes, mas de alguma forma o oxigénio já não é suficiente.
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Quando entramos numa relação, já somos pessoas formadas, com os seus próprios hábitos, passatempos e necessidades de privacidade. E se essa necessidade for ignorada, mais cedo ou mais tarde chegará um momento em que a presença do outro se tornará incómoda.
São necessários limites saudáveis não para nos mantermos afastados do nosso parceiro, mas para nos mantermos na relação. Não existem funções e papéis, mas duas pessoas vivas, e cada uma precisa de espaço para respirar.
Quando damos liberdade ao nosso parceiro, ele volta para nós não com culpa, mas com alegria e desejo de partilhar o que lhe aconteceu. O paradoxo é que a distância torna muitas vezes os encontros mais calorosos e as conversas mais sinceras.
Muitas pessoas temem que, se deixarmos uma pessoa ir embora, ela irá para sempre, mas na prática acontece o contrário. Quem tem a opção de ficar, fica de facto, e não porque está preso a um radiador.
A arte de estar juntos é também a arte de estar separados, de ouvir o silêncio um do outro. Quando duas pessoas falam a toda a hora, correm o risco de não ouvir o mais importante.
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