Porque é que uma boa alimentação pode ser prejudicial: nutricionista sobre fanatismo e ortorexia

Uma rapariga examina minuciosamente os rótulos no supermercado, calcula cada grama de açúcar e recusa-se a jantar numa casa de hóspedes porque a comida é “errada”.

Orgulha-se da sua disciplina e não se apercebe de que o controlo rigoroso se transforma em obsessão e que os pensamentos sobre a comida ocupam todo o seu tempo livre, relata o correspondente do .

Os psicoterapeutas chamam a esta condição ortorexia – uma obsessão patológica por uma alimentação saudável, que é oficialmente reconhecida como um distúrbio alimentar. A pessoa fica tão obcecada com a qualidade da comida que perde a capacidade de gostar de comer e de conviver, e qualquer desvio das regras causa pânico e culpa.

Um médico nutricionista adverte que o fanatismo excessivo na alimentação leva ao isolamento social e a condições de deficiência. Ao eliminar grupos alimentares inteiros sem razões médicas, as pessoas privam os seus corpos de substâncias essenciais e ganham problemas de saúde que estavam a tentar evitar.

Uma dieta normal não pode consistir apenas em alimentos “puros” e “corretos”, há sempre espaço para variedade e flexibilidade. Uma pessoa saudável pode comer uma fatia de piza com os amigos e esquecer o assunto, em vez de se bater durante uma semana e ir para o ginásio fazer exercício.

Os estudos demonstram que as restrições alimentares severas conduzem frequentemente a colapsos e a excessos alimentares. Quando o fruto proibido se torna disponível, a psique não consegue lidar com ele, e a pessoa come muito mais do mesmo alimento “não saudável” do que se se tivesse permitido comê-lo ocasionalmente sem culpa.

A ortorexia também é perigosa porque é socialmente aprovada: as pessoas à volta elogiam a pessoa pela sua força de vontade e disciplina, sem se aperceberem da obsessão dolorosa. A própria pessoa também não se apercebe do problema, porque “cuida da sua saúde”, o que mascara o desenvolvimento da perturbação.

O principal critério para uma relação saudável com a comida é a flexibilidade e a ausência de medo. Se a ideia de comer um pedaço de pão provoca ansiedade durante todo o dia, e ir a uma visita sem a sua própria comida parece um desastre – esta é uma razão para pensar no assunto e recorrer a um especialista, não para procurar outra dieta “mais correta”.

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