Vivemos numa era de total transparência, em que qualquer pessoa pode entrar na cama de outra através do ecrã de um smartphone.
Fotografias perfeitas, viagens românticas, declarações de amor à luz das velas – tudo isto forma uma imagem falsa na cabeça de como as coisas devem ser, relata um correspondente do .
O problema é que a imagem bonita esconde sempre as discussões, o cansaço, as janelas por lavar e as contas da casa. Simplesmente não é aceite colocá-la na rede e cria-se a ilusão de que tudo é perfeito para todos menos para nós.
Pixabay
Quando comparamos as nossas relações com as de outra pessoa, estamos a comparar os nossos bastidores com o palco de outra pessoa. Pegamos no pior da nossa vida e comparamo-lo com o melhor da vida de outra pessoa, condenando-nos a perder.
A saída desta armadilha passa por uma ação simples mas que exige disciplina – parar de olhar em volta. Não no sentido de parar para reparar nos outros, mas no sentido de fazer das suas próprias relações o único ponto de referência.
É importante perceber que não existe um padrão único para uma família feliz, tal como não existem impressões digitais idênticas. O que funciona na casa do vizinho pode arruinar a sua casa, e vice-versa – as suas esquisitices podem ser a inveja de outra pessoa.
A felicidade não se mede pelo número de gostos numa foto juntos ou pela frequência das confissões nas redes sociais. Mede-se pela cara com que se fecha a porta do apartamento quando ninguém nos vê.
E quando esse foco se desloca do exterior para o interior, acontece uma coisa espantosa – as relações deixam de ser um trabalho de relações públicas. Tornam-se simplesmente vida, com toda a sua beleza imperfeita mas nativa.
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