A manhã de muitos donos de gatos que vivem numa casa particular começa com uma “prenda” à porta: um rato, um pássaro ou um lagarto, por vezes ainda vivo.
Um zoopsicólogo explica que não se trata de uma tentativa de alimentar o dono, mas sim de um complexo ritual de aprendizagem e de confiança, relata .
Na natureza, uma mãe gata traz aos seus gatinhos primeiro uma presa morta e depois uma presa ferida para os ensinar a caçar. Um gato adulto que lhe traga um rato trata-o como um gatinho descuidado que ainda não sabe encontrar comida por si próprio.
Há outra versão: o gato considera a casa uma extensão do seu território, e o dono – uma parte da matilha, com a qual é necessário partilhar a presa. Este é um sinal de grande confiança e respeito, porque no mundo animal, a comida não é dada a estranhos, apenas aos que lhes são mais próximos.
Se o animal trouxer a presa viva, não o repreenda e não a deite fora imediatamente à frente dos seus olhos – ele decidirá que o presente não agradou. É preferível retirá-la discreta e silenciosamente quando o gato estiver distraído e elogiá-lo pelo seu cuidado.
Os gatos urbanos castrados que nunca viram ratos podem trazer brinquedos, meias ou outros objectos. É o mesmo padrão de comportamento: o instinto obriga a partilhar coisas valiosas com um ente querido, mesmo que a coisa valiosa seja uma meia amarrotada do cesto da roupa suja.
Desmamar este comportamento é inútil e cruel, é uma programação básica. Aceita este estranho amor e fica feliz por o gato te considerar digno dos seus troféus de caça.
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