Uma equipa científica dos EUA desenvolveu uma vacina nasal experimental que pode proteger o corpo de várias ameaças respiratórias ao mesmo tempo – infecções virais, bactérias e alergénios. Os resultados do estudo foram publicados na revista Science.
O medicamento é administrado sob a forma de spray nasal e estimula o sistema imunitário diretamente no trato respiratório – a principal “porta de entrada” para a maioria das infecções respiratórias. Esta abordagem permite uma ativação mais rápida dos mecanismos de defesa do organismo.
Em experiências com ratos, três doses da vacina proporcionaram proteção contra o SARS-CoV-2 e outras estirpes de coronavírus durante três meses.
A carga viral nos pulmões dos animais vacinados foi cerca de 700 vezes inferior à dos animais não vacinados.
Além disso, a resposta imunitária formou-se muito mais rapidamente: se normalmente a imunidade adaptativa começa a reagir ativamente cerca de duas semanas após a infeção, nos animais vacinados a resposta protetora foi desencadeada ao fim de três dias.
Experiências adicionais mostraram que a vacina podia reduzir o risco de infecções bacterianas. Em particular, protegeu os animais contra Staphylococcus aureus e Acinetobacter baumannii, bactérias que causam frequentemente infecções hospitalares e são muitas vezes resistentes aos antibióticos.
Um resultado inesperado foi o efeito do medicamento nas reacções alérgicas. Nos ratinhos vacinados expostos a ácaros, os sintomas de asma – inflamação das vias respiratórias e aumento da produção de muco – foram significativamente mais fracos.
Os autores do estudo referem que, até à data, os resultados só foram obtidos em experiências com animais. A próxima etapa deverá ser a realização de ensaios clínicos para testar a segurança e a eficácia da vacina em seres humanos.

