No início, qualquer relação é como um vício – não conseguimos respirar sem a pessoa, pensamos nela a cada segundo, estamos dispostos a fazer tudo por um encontro.
E é normal, é química, é paixão, é o que nos dá asas, segundo o correspondente do .
Mas o tempo passa, e as asas não aparecem, pelo contrário, tornam-se cada vez mais pesadas, como se um peso estivesse atado às pernas. Continuamos a estar com uma pessoa não porque é bom para nós, mas porque é insuportavelmente mau sem ela.
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A dependência difere do amor na medida em que não há escolha, não há liberdade, não há facilidade, apenas o medo animal da perda. O toxicodependente não se pergunta se é feliz, pergunta-se apenas: já me deixou?
No amor, pode-se discutir e ir para quartos diferentes, no amor, pode-se estar em silêncio e não sufocar com esse silêncio. Na dependência, cada pausa na conversa é vista como um desastre, cada “não posso encontrar-me hoje” como o princípio do fim.
Os psicólogos chamam a esta condição co-dependência, e é tratada apenas com uma coisa – regressar à sua própria vida. Este é um longo caminho a percorrer, em que temos de nos lembrar que temos amigos, trabalho, passatempos, sonhos que não estão ligados a essa pessoa.
O teste de dependência mais honesto parece simples: se essa pessoa desaparecesse, de que é que se privaria mais – dela própria ou do hábito de estar perto dela? O seu sorriso ou o medo do vazio?
A resposta a esta pergunta é muitas vezes tão dolorosa que é mais fácil nem sequer a colocar. Mas só através desta dor se encontra o caminho para uma verdadeira relação, onde se ama não porque não se pode fazer outra coisa, mas porque se escolhe fazê-lo todos os dias.
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