Investigadores do Centenary Institute e da University of Technology Sydney descobriram que o vírus SARS-CoV-2 é capaz de penetrar diretamente no tecido cardíaco, multiplicar-se nele e provocar alterações inflamatórias associadas à disfunção do miocárdio. O trabalho foi publicado na revista Biofabrication.
A experiência utilizou os chamados esferóides cardíacos – pequenos “mini-corações”, que são aglomerados volumosos de células cuja estrutura e comportamento se aproximam mais do tecido cardíaco real do que as culturas laboratoriais normais. Utilizando este sistema 3D, os cientistas descobriram que o SARS-CoV-2 é capaz de infetar e de se multiplicar ativamente no interior desse tecido.
Ao mesmo tempo, o vírus não demonstrou a mesma capacidade de se multiplicar em tipos individuais de células cardíacas cultivadas isoladamente.
Isto indica que a organização espacial das células e a sua interação entre si desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de danos.
De acordo com os autores, os resultados ajudam a explicar por que razão uma percentagem de doentes durante e após a COVID-19 desenvolve complicações cardíacas graves – mesmo na ausência de doença cardíaca previamente diagnosticada. As mais comuns são a miocardite – inflamação do músculo cardíaco, arritmias, trombose e cardiomiopatia – insuficiência cardíaca com alterações do volume ventricular.
Os investigadores acreditam que o modelo criado pode tornar-se uma ferramenta para testar potenciais métodos de proteção do coração contra infecções virais e desenvolver novas estratégias terapêuticas – tanto contra a COVID-19 como contra outros vírus com possíveis efeitos cardiotóxicos.

