Desde a infância que nos ensinam que o amor ultrapassa tudo, que se os sentimentos forem verdadeiros, é possível fazer rolar montanhas e atravessar rios.
Mas a vida é cruel e, por vezes, até o maior dos amores é quebrado por uma incompatibilidade doméstica, como uma onda numa rocha, relata o correspondente do .
O maior sinal de que não estão bem um para o outro é muito simples e muito assustador. Não é a falta de sexo ou a diferença de pontos de vista sobre a paternidade, é a sensação de que não consegue respirar ao lado dele.
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Quando estamos perto de uma pessoa, mas sentimos constantemente a tensão, como se estivéssemos a caminhar sobre uma corda. Quando temos de nos ajustar, de nos dobrar, de nos calar sobre coisas importantes, só para manter essa paz frágil.
O amor que nos obriga a negarmo-nos a nós próprios não é amor, é escravidão, por mais belo que seja. Podemos amar alguém loucamente, mas se nos tornarmos menos do que somos ao pé dessa pessoa, é um beco sem saída.
Os psicólogos chamam a isto o “efeito de aperto” – quando, na presença do seu parceiro, não sente asas atrás das costas, mas correntes nas pernas. Não se trata de discussões e conflitos, mas sim do sentimento geral da vida: é difícil para si com ele/ela, mesmo quando tudo está bem.
É claro que ninguém é perfeito e que qualquer relação exige compromissos, o que é normal e correto. Mas há um limite a partir do qual o compromisso se transforma num sacrifício no altar da paz de espírito de outra pessoa.
E se te apanhares a pensar que te sentes mais fácil e livre sem ele, isso não é insensibilidade, é um diagnóstico. É um diagnóstico que diz: tu és apenas diferente, e nenhuma quantidade de amor fará um triângulo quadrado.
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