Nos últimos anos, o número de pacientes adultos que se queixam de problemas de atenção aumentou. Isto pode dever-se ao desenvolvimento das redes sociais e ao facto de mais pessoas terem tomado conhecimento da existência da perturbação do défice de atenção, disse Denis Mukhamedov, um neurologista da Clínica Neurológica de Moscovo, à Gazeta.Ru.
“A síndrome do défice de atenção (DDA) nos adultos é uma caraterística neurológica que se manifesta por dificuldades na retenção da atenção, no controlo dos impulsos e na organização do comportamento. A DDA não surge do nada na idade adulta. Trata-se de uma particularidade inata do funcionamento do córtex pré-frontal e de um desequilíbrio de neurotransmissores como a dopamina e a norepinefrina”, explica o médico.
Na infância, segundo o especialista, o problema manifesta-se por hiperatividade e, com a idade e o aumento do stress e da responsabilidade, manifesta-se apenas por défice de atenção.
“As razões pelas quais muitas pessoas começaram a falar sobre este problema exatamente agora são várias. Em primeiro lugar, as redes sociais, os messengers e a Internet ilimitada só vieram expor as dificuldades existentes. O que uma pessoa conseguia fazer num ambiente mais estruturado tornou-se agora quase impossível. Em segundo lugar, a neurobiologia avançou consideravelmente. As técnicas modernas permitem-nos ver caraterísticas da atividade e da estrutura do cérebro que são caraterísticas da DDA. Este facto contribuiu para que a conversa passasse para o domínio da neurociência objetiva. Em terceiro lugar, o efeito de reconhecimento funcionou. Anteriormente, um adulto com TDAH não diagnosticado considerava-se preguiçoso e desconcentrado, mas agora sabe que se trata de caraterísticas do cérebro”, afirmou o médico.
Uma vez diagnosticado, o neurologista pode prescrever medicamentos para neutralizar o desequilíbrio neuroquímico, psicoterapia e aconselhar a adesão a técnicas de higiene organizacional, como a divisão de grandes tarefas em micro-passos com recompensas imediatas.
