As separações raramente são tão limpas como uma incisão cirúrgica, deixando normalmente cicatrizes, dores fantasma e conversas inacabadas.
E quando entramos numa nova relação, muitas vezes levamos essa bagagem connosco sem sequer nos apercebermos do peso que ela tem sobre os nossos ombros, informa o .
O fantasma mais perigoso é o dos sentimentos inacabados, quando dentro de nós ainda vive a raiva, o ressentimento ou, pelo contrário, a ternura pelo passado.
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Estes sentimentos não dão espaço para o novo porque a divisão antiga está ocupada e não há lugar para colocar a nova mobília.
Podemos passar anos a discutir com um novo parceiro as acções dos nossos ex, comparando, analisando, procurando razões. Mas cada uma dessas discussões não é um esclarecimento, mas sim uma manutenção da ligação com o passado, que há muito devia ter sido enterrado.
Os psicólogos sabem que, para entrar numa nova relação, é preciso fazer um ritual de despedida da antiga, mesmo que pareça que tudo já foi vivido.
Pode ser um e-mail que não é enviado, uma conversa com uma cadeira vazia, ou apenas uma confissão honesta: era isso, acabou, estou a seguir em frente.
É importante perceber que os ex vêm à mente não porque sejam melhores, mas porque o cérebro se agarra ao que é familiar. O novo é sempre assustador, e o cérebro procura apoio no antigo, mesmo que esse antigo tenha doído.
A verdadeira libertação acontece quando não surgem emoções ao recordar o passado. Nem amor, nem ódio, nem ressentimento, nem gratidão – apenas uma declaração de facto de que foi noutra vida.
E só então algo novo pode crescer neste vazio, algo não infetado com os vírus antigos. Algo que pertencerá apenas a si e àquele que está perto de si agora, sem olhar para trás, para as sombras do passado.
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