No início de uma relação, reparamos em tudo: um novo corte de cabelo, um olhar cansado, uma ligeira tristeza nos cantos dos lábios e apressamo-nos a aquecer.
Lembramo-nos do tipo de café que ele gosta de tomar de manhã e do tipo de almofada que ela prefere, e estas pequenas coisas são amor, relata o correspondente do .
Com o passar dos anos e a diminuição da atenção, deixamos de ver os pormenores porque parece que já sabemos tudo. Não reparamos que o nosso parceiro emagreceu, que ele tem problemas no trabalho, que ela está triste, simplesmente porque não olhamos.
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Os psicólogos chamam-lhe “cegueira do hábito” – um estado em que o cérebro poupa recursos, deixando de fixar o que é familiar. Mas, nesta poupança, perdemos o mais importante – a pessoa viva por detrás da fachada dos papéis habituais.
Deixar de reparar nas pequenas coisas é deixar de se importar, porque é nos pormenores que mora o cuidado. Ao ver o cansaço e oferecer chá, ao ver a tristeza e simplesmente abraçar sem perguntas.
Estudos sobre casais felizes mostram: eles distinguem-se não por grandes gestos, mas por milhares de pequenas atenções todos os dias. Lembram-se de pôr ou não açúcar e sabem o que faz o seu parceiro sentir-se mal e tentam evitá-lo.
Quando deixamos de reparar nas pequenas coisas, o nosso parceiro sente-se invisível, como se tivesse sido apagado da realidade com uma borracha. Este sentimento é mais assustador do que qualquer discussão, porque numa discussão somos pelo menos vistos, embora zangados.
O amor é a arte de reparar, de ver as mudanças, de se alegrar com as pequenas coisas e de as chorar em conjunto. E aquele que um dia deixou de olhar arrisca-se a descobrir que já não há ninguém para quem olhar.
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