Desde a infância que nos ensinam que é mau estar zangado, vergonhoso estar ofendido, indigno ter medo e impróprio alegrar-se demasiado alto.
Crescemos com um mapa de sentimentos proibidos, que não devem ser mostrados nem em privado, já para não falar à frente de um parceiro, relata o correspondente do .
Mas as emoções não conhecem avaliações morais, elas simplesmente são, surgem, e cada uma delas tem o direito de existir. Tentar proibir a raiva ou a tristeza é como tentar proibir a chuva de cair – inútil e estúpido.
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Quando, num casal, um dos parceiros considera “errados” os seus próprios sentimentos ou os do outro, começa uma catástrofe silenciosa. Ele reprime, esconde-se, finge que está tudo bem, e a tensão acumula-se no seu interior, que mais cedo ou mais tarde irá explodir.
Os psicólogos sabem: todos os sentimentos são necessários, cada um tem a sua própria função, a sua própria linguagem, a sua própria mensagem que é importante ouvir. A raiva fala de limites violados, a tristeza fala de perda, o medo fala de perigo real ou imaginário.
Numa relação saudável, tudo é permitido: ficar zangado, chorar, alegrar-se como uma criança e ficar em silêncio quando não apetece falar. É permitido ser qualquer coisa, e esse “qualquer coisa” é o presente mais valioso que os parceiros podem dar um ao outro.
A investigação confirma: os casais em que as emoções não estão divididas entre o certo e o errado têm uma ligação muito mais profunda. Porque não têm de gastar energia a esconder-se, podem gastá-la na intimidade.
A amnistia emocional é perdoar-se a si próprio pela forma como se sente e perdoar o seu parceiro pela forma como ele se sente. E só neste perdão nasce esse porto seguro onde o amor pode crescer sem olhar a inibições.
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