O seu andar pode dizer muito sobre o seu estado emocional, e as pessoas à sua volta podem avaliar o seu estado de espírito com bastante precisão antes mesmo de abrir a boca, concluíram investigadores japoneses, cujo artigo foi publicado na revista Royal Society Open Science.
Os cientistas realizaram uma série de experiências. Em primeiro lugar, pediram a actores que recordassem acontecimentos da vida que evocassem raiva, alegria, medo e tristeza, e depois caminhassem uma curta distância enquanto pensavam em cada recordação. Os actores também caminhavam com expressões faciais neutras para dar aos investigadores uma base de comparação.
As gravações foram depois convertidas em vídeos com 17 pontos brancos a marcar partes importantes do corpo. Os clips foram mostrados a um grupo de adultos voluntários a quem foi pedido que identificassem as emoções sentidas pelos actores. Com base nos movimentos das partes do corpo enquanto caminhavam, os participantes foram capazes de adivinhar com bastante precisão o que a pessoa estava a sentir naquele momento.
Os investigadores decompuseram o ato de caminhar em várias componentes, como a inclinação e oscilação da cabeça, a posição do corpo e dos ombros, etc
Verificou-se que o principal sinal que determina o julgamento do observador sobre o estado emocional da pessoa que caminha é a amplitude dos movimentos dos braços e das pernas. Para além disso, a velocidade do andar também é importante.
Finalmente, os investigadores utilizaram um computador para aumentar ou diminuir a amplitude dos movimentos dos membros e mostraram estes clips a outro grupo de participantes que, mais uma vez, foram capazes de identificar corretamente as emoções expressas pela marcha.
No final, os cientistas descobriram o seguinte:
- se um homem está zangado, ele vai
- e agita muito os braços;
- se uma pessoa se sente triste ou com medo, caminha lentamente, de forma desleixada e quase não agita os braços;
- se uma pessoa está feliz, caminha rapidamente
- caminha com passo firme.
“A marcha de uma pessoa pode revelar o seu estado emocional à distância, permitindo que decisões sociais – como aproximar-se ou evitá-la – sejam tomadas antes mesmo de a sua expressão facial ser visível”, explicam os investigadores. – Embora as expressões faciais possam ser conscientemente controladas, a marcha é um comportamento motor espontâneo e habitual que pode servir como um indicador fiável do estado emocional interno de uma pessoa”.

