Uma forma não óbvia de prevenir a depressão foi nomeada

Investigadores da University College London chegaram a uma conclusão inesperada: é a força muscular, e não a resistência, que pode desempenhar um papel fundamental na proteção contra a depressão. O trabalho foi publicado no Journal of Affective Disorders (JAD).

Há muito que se pensa que a atividade física reduz o risco de depressão, mas os mecanismos deste efeito não são ainda bem conhecidos. Os investigadores decidiram separar as duas componentes – resistência cardiorrespiratória e força muscular – e testar qual delas está efetivamente ligada ao estado mental.

O trabalho utilizou dados de mais de 340.000 pessoas da base de dados UK Biobank. Para estabelecer relações de causa e efeito, os cientistas aplicaram o método de aleatorização mendeliana, que permite avaliar a influência dos factores através de caraterísticas genéticas, minimizando a influência do estilo de vida.

Os investigadores utilizaram a força de preensão manual, um marcador comum e fiável da força muscular global, como medida de força. A saúde mental foi avaliada através de diagnósticos e questionários, incluindo os principais sintomas de depressão: mau humor, perda de interesse pela vida, problemas de concentração e alterações do apetite.

Os resultados foram inesperados. Não foi encontrada qualquer relação entre resistência e depressão. Mas a força muscular mostrou um forte efeito protetor.

Por exemplo, o aumento da força de preensão em 0,1 kg por quilograma de peso corporal reduziu o risco de depressão em cerca de 14%. Os participantes mais fortes também tinham menos probabilidades de apresentar sintomas individuais: a anedonia – perda de prazer – era 21% menos provável e a perturbação do apetite era 44% menos provável.

Curiosamente, o efeito foi mais pronunciado nas mulheres. Nelas, a força foi associada a uma redução de sintomas como o humor deprimido, a perda de interesse e problemas de concentração. Nos homens, a relação é menos clara.

A razão pela qual os músculos afectam a psique ainda não é totalmente compreendida. Uma hipótese está relacionada com a atividade diária: a redução da força prejudica a capacidade de lidar com as tarefas diárias, o que pode aumentar os sentimentos de impotência e contribuir para a depressão. Outra é biológica: quando os músculos se contraem, libertam proteínas que podem ter um efeito protetor no cérebro.

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