Entramos numa relação com uma lista enorme de coisas a corrigir num parceiro e acreditamos verdadeiramente que é apenas uma questão de tempo.
Ele vai deixar de beber cerveja às sextas-feiras, ela vai aprender a cozinhar, ele vai tornar-se mais atencioso, ela vai deixar de gastar demasiado – só tem de esperar um pouco mais, relata .
Os anos passam e a lista não diminui, porque uma pessoa não muda por vontade alheia, por mais que se esforce. E nós vivemos em constante espera, numa prisão de esperança, onde cada dia é medido pelo facto de o parceiro estar ou não mais perto do ideal.
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A psicologia sabe: a esperança de que o parceiro mude é uma das principais armadilhas em que as pessoas ficam presas durante décadas. Porque esta esperança não permite aceitar a realidade e fazer uma escolha: ou ficar com ele, tal como está, ou ir embora.
Os estudos mostram que as pessoas só mudam quando querem, e apenas por elas próprias, não por mais ninguém. Esperar que ele mude por si está condenado à desilusão porque é uma exigência, não um impulso interior.
Quando deixamos de esperar que o nosso parceiro seja diferente, acontece uma coisa espantosa: vemos finalmente a pessoa que está ao nosso lado. Deixamos de o comparar com uma imagem inventada e começamos a ver a pessoa real, com todas as suas vantagens e desvantagens.
Isto não significa tolerar o que é inaceitável, significa responder honestamente à pergunta: posso viver com isso? Se não – deixar sem esperar por um milagre, se sim – aceitar e construir uma relação com uma pessoa real, não uma versão futura dela.
Ser libertado da prisão da esperança traz uma leveza surpreendente: deixamos de ser o supervisor, o controlador, o corretor. Tornam-se simplesmente duas pessoas que escolhem estar juntas não pelo potencial, mas pelo que é agora.
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