Muitas pessoas acreditam que o excesso de peso é um problema de força de vontade e auto-controlo, mas os psicólogos e neurobiólogos há muito que provaram o contrário.
A maioria dos casos de comer em excesso não tem nada a ver com fome, mas é uma tentativa de lidar com o stress, o tédio, a ansiedade ou mesmo a alegria, e isto não é uma fraqueza, mas uma caraterística do funcionamento do cérebro estabelecida pela evolução, relata o correspondente do .
A investigação mostra que comer ativa os centros de prazer no cérebro mais fortemente do que muitas outras actividades, porque para os nossos antepassados a procura de alimentos era uma questão de sobrevivência.
O homem moderno, rodeado de comida disponível, cai numa armadilha: o cérebro precisa de dopamina, e a forma mais rápida de a obter é comer algo saboroso, independentemente de o estômago estar com fome.
Os psicólogos explicam o mecanismo: a fome emocional surge subitamente, requer um alimento específico (mais frequentemente doce ou gordo) e não desaparece após a saciedade, enquanto a fome física se desenvolve gradualmente, pode ser satisfeita por qualquer alimento e desaparece quando o estômago está cheio.
A diferença é óbvia, mas no momento raramente a detectamos, agindo de forma automática.
Os neurocientistas acrescentam que o hábito de comer por stress forma ligações neurais que funcionam como um caminho batido: quanto mais vezes o seguimos, mais profundo se torna.
Para abrir um novo trilho, não é preciso lutar contra o antigo, mas sim criar formas alternativas de obter dopamina – um passeio, música, uma conversa com um amigo – e assim o desejo de comer diminui por si só.
Estudos demonstram que as pessoas que mantêm um diário de emoções e anotam como se sentiam antes de comer em excesso reduzem a frequência dos colapsos emocionais em 50-70 por cento em poucos meses, sem qualquer dieta.
A atenção plena funciona melhor do que as inibições porque não cria a culpa que inicia um novo ciclo de compulsão alimentar e auto-agressão.
Por isso, da próxima vez que a sua mão for ao frigorífico sem sentir fome, pare por um minuto e pergunte a si próprio: como é que eu me sinto realmente?
Talvez não precise de comida, mas sim de apoio, de descanso ou apenas de cinco minutos de silêncio, e esta tomada de consciência será o primeiro passo para se libertar da comida como única forma de lidar com a vida.
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